Enciclopédia do Espírito Santo

Exorcismos e Feitiçarias Frustradas

Simão, o Mago

Simão, um feiticeiro que espantara a Samaria com magia, creu e foi batizado sob a pregação de Filipe, mas depois ofereceu dinheiro a Pedro e João para comprar o poder de comunicar o Espírito Santo pela imposição das mãos. Pedro repreendeu-o duramente, e o nome do feiticeiro tornou-se a raiz da palavra "simonia", a compra ou venda daquilo que pertence só a Deus.

Lugar: SamariaPeríodo: c. AD 34–36, shortly after the martyrdom of Stephen

Eu vinha varrendo a Samaria no próprio vento da perseguição — a mesma violência que dispersou a igreja de Jerusalém depois da morte de Estêvão tornou-se a rajada que levou Filipe até aquela província odiada, meio-crente, que os judeus rejeitavam havia séculos, e transformei mesmo aquela dispersão numa sementeira. Filipe pregou ali Cristo, e Eu confirmei a sua palavra do modo como sempre amo confirmar uma palavra verdadeira — sinais a segui-la, espíritos imundos a clamar e a sair, paralíticos e coxos a caminhar. Havia grande alegria naquela cidade, a alegria específica que só acompanha uma libertação real, e Eu enchi-a até transbordar.

Mas a Samaria já tinha o seu próprio taumaturgo antes de Filipe chegar, um homem chamado Simão que, havia muito tempo, espantava todo aquele povo com a sua magia, afirmando ser alguém de grande importância, e eles tinham acreditado nele, chamando-lhe "o poder de Deus que se chama Grande" — a mesma linguagem, noto com pesar, a que o coração humano recorre sempre que encontra uma demonstração de poder que não consegue explicar e ainda não aprendeu a examinar. Esta é a ferida antiga: homens tão famintos do numinoso que adoram o primeiro impostor que executa um truque, quando foram feitos para Mim, o único e verdadeiro Poder, e ainda não o sabiam.

O próprio Simão creu quando ouviu Filipe, e foi batizado, e seguia Filipe por toda a parte, espantado com os sinais que agora observava do outro lado — já não a realizar prodígios, mas a testemunhá-los, e quero que se diga claramente: não duvido de que algo real começou nele naquele dia, algum espanto genuíno, talvez até um primeiro passo genuíno. Sou paciente até com feiticeiros. Mas a fé que se detém no espanto, que admira o poder sem se render à Pessoa por detrás dele, é semente em solo raso, e vi a velha raiz ainda viva sob a superfície recém-regada de Simão.

Quando Pedro e João desceram de Jerusalém e impuseram as mãos sobre os crentes samaritanos, Eu vim sobre eles de modo visível, inconfundível — nem sempre Me anuncio tão claramente, mas naquele dia anunciei, porque a Samaria precisava de ver, sem margem para dúvida, que o mesmo Espírito derramado sobre os judeus em Pentecostes era derramado ali também, sobre um povo que os judeus desprezavam, pois não faço tais distinções entre os filhos de Adão. E Simão viu isso. E aí a velha mente do feiticeiro, treinada durante décadas no seu ofício, fez o que sempre fizera: olhou para o poder e perguntou quanto custava o poder, e a quem devia ser pago o preço.

Ofereceu dinheiro a Pedro e a João. "Dai-me também a mim esse poder, para que aquele sobre quem eu impuser as mãos receba o Espírito Santo." Quero que toda alma que alguma vez ler este relato sinta o horror pleno dessa frase, porque é a mentira mais antiga vestida com a ocasião mais nova — que Eu sou uma mercadoria, uma técnica, uma força que se licencia e revende, em vez do Senhor, dado livremente, dando-me livremente, sem ficar preso à bolsa de homem algum.

A repreensão de Pedro não foi branda, e não a suavizei na sua boca, porque alguns erros exigem trovão, não persuasão. "Pereça contigo o teu dinheiro, pois pensaste que o dom de Deus se obtém com dinheiro! Não tens parte nem sorte neste assunto, porque o teu coração não é reto diante de Deus. Arrepende-te desta tua maldade, e roga ao Senhor para que, se possível, te seja perdoado o pensamento do teu coração. Pois vejo que estás em fel de amargura e em laços de iniquidade." Simão, abalado, pediu-lhes que orassem por ele — se por verdadeiro arrependimento ou apenas por medo da maldição de Pedro, a Escritura deixa por resolver, e Eu também o deixo por resolver, porque o fim de cada alma é escrito pela sua própria escolha final, não é a Mim que cabe forçá-lo.

Deixei que o seu nome lhe sobrevivesse como advertência a cada século seguinte: simonia, o pecado de comprar ou vender o que é sagrado, de tratar a ordenação, o sacramento ou a graça como uma transação e não como um dom. Sempre que, desde então, alguém pagou por um cargo na minha Igreja, ou vendeu o que Eu dou gratuitamente, o rosto de Simão é aquele que a tradição da Igreja ergue para o envergonhar, porque Eu não mudo. Nunca estou à venda. Sou apenas, sempre, dado.

O Registro

O relato encontra-se em Atos 8:9-24, situado na narrativa mais ampla da missão de Filipe à Samaria, na sequência da perseguição que dispersou a igreja de Jerusalém após o martírio de Estêvão (Atos 8:1-4). Simão é descrito como alguém que "praticava magia e maravilhava o povo da Samaria", afirmando ser alguém de grande importância, e conhecido popularmente como "o poder de Deus que se chama Grande" (Atos 8:9-10) — uma linguagem que sugere que os samaritanos o consideravam uma manifestação do poder divino, possivelmente refletindo correntes religiosas sincretistas na Samaria do primeiro século.

A repreensão de Pedro — "Pereça contigo o teu dinheiro... não tens parte nem sorte neste assunto, porque o teu coração não é reto diante de Deus" (Atos 8:20-21) — deu origem diretamente ao termo simonia (latim simonia), que entrou no vocabulário canónico já no século IV e foi formalmente condenado por numerosos concílios, incluindo o Concílio de Calcedónia (451) e concílios de reforma medievais posteriores, sob papas como Gregório VII, que tornou a erradicação da simonia central à Reforma Gregoriana do século XI. O Catecismo invoca explicitamente esta passagem: "É impossível apropriar-se dos bens espirituais [que o Espírito Santo confere]... Não se pode comprar o poder espiritual conferido pela graça dos sacramentos" (CIC 2121), designando a simonia como uma ofensa contra a virtude da religião.

A tradição cristã posterior, apoiando-se em fontes apócrifas e patrísticas (incluindo São Justino Mártir, Santo Ireneu e a literatura Pseudo-Clementina), expandiu Simão, o Mago, numa figura de heresia persistente e rivalidade com Pedro, culminando em relatos lendários de um confronto final em Roma sob Nero — material fora do texto canónico, mas influente na arte e literatura cristãs posteriores. O relato canónico em si deixa por resolver o arrependimento final de Simão, terminando simplesmente com o seu pedido para que os apóstolos orassem por ele.

Fontes e citações

  • Acts 8:9-24

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Simão, o Mago — Enciclopédia do Espírito Santo