A Cura no Tanque de Betesda
Junto aos cinco pórticos de Betesda, em Jerusalém, um homem que esperou trinta e oito anos por uma cura encontra aquele que não espera que a água se agite. Jesus faz uma pergunta penetrante — queres ficar são? — e com uma única palavra restaura o que décadas de quase-êxitos jamais conseguiram, acendendo o primeiro conflito aberto sobre a sua identidade como Filho de Deus.
Já vi multidões à espera antes. Esperei com Israel junto ao Mar Vermelho, com a viúva em Sarepta, com a terra inteira, dolorida, pela plenitude dos tempos — mas não creio ter visto uma espera tão paciente, tão desgastada pela esperança adiada, como a espera junto aos cinco pórticos de Betesda.
Trinta e oito anos. Quero que sintas o peso desse número como eu o senti, pairando sobre um homem que já não conseguia lembrar-se para que serviam as próprias pernas. Vira a água agitar-se — algum movimento que os desesperados acreditavam trazer cura a quem primeiro a alcançasse — e vira outros serem carregados diante dele, erguidos por amigos, baixados à sua frente, sempre à sua frente, enquanto ele media a vida em quase-êxitos sobre uma esteira. 'Não tenho ninguém', disse a Jesus, quando Jesus veio e ficou junto dele. Cinco palavras que carregam mais solidão do que um salmo inteiro de lamento. Ninguém, em trinta e oito anos, para o carregar os últimos passos.
Eu vinha caminhando em direção a ele muito antes de os pés de Jesus alcançarem aquele pórtico. Movo-me em direção aos esquecidos como a água se move em direção ao ponto mais baixo — não porque sou atraído para baixo, mas porque é ali que sempre escolhi represar-me. Não passo ao lado dos que a multidão ignora. Nunca o fiz.
Jesus fez-lhe uma pergunta que desde então já fiz nos aposentos escondidos de mil corações: 'Queres ficar são?' Parece estranha, quase indelicada, até se entender o que eu sei — que a esperança, arrastada por tempo suficiente, pode calcificar-se em algo que se parece com esperança, mas que é apenas o seu hábito, a forma que deixa para trás depois de a substância ter partido. Alguns homens, ao fim de trinta e oito anos, preferem ficar com a esteira a arriscar querer de novo e ser desiludidos outra vez. Eu escrutino corações, e sabia que este ainda queria, sepultado debaixo da desculpa que deu sobre não ter ninguém que o carregasse. Jesus também o sabia. Não respondeu à desculpa. Respondeu ao desejo. 'Levanta-te, toma a tua esteira e anda.'
E movi-me através dele — não gradualmente, não como força a regressar aos poucos a membros gastos ao longo de meses de uso, mas de imediato, por inteiro, como faço todas as coisas novas quando escolho mover-me sem demora. Pernas mortas para o propósito havia trinta e oito anos recordaram num instante tudo o que haviam esquecido. Ele levantou-se. Enrolou debaixo do braço a mesma esteira que fora a sua identidade, a sua desculpa, a sua prisão, e caminhou.
Era sábado. Sei o que a Lei significava, e sei o que o Legislador quis dizer com ela, e nunca tiveram, nas suas mãos, o mesmo peso que assumiram nas mãos dos homens que guardavam o sábado com mais zelo do que guardavam a misericórdia. Detiveram o homem curado — não para se alegrarem, mas para o acusar de carregar o seu leito. Ele nem sequer sabia, ainda, o nome de quem o curara. Jesus encontrou-o mais tarde no Templo, para onde o homem fora, creio, simplesmente porque agora podia, e deu-lhe mais uma palavra, mais quieta do que a primeira: 'Vê, ficaste são. Não peques mais, para que não te suceda coisa pior.' A cura nunca fora apenas para as pernas.
O homem disse às autoridades que fora Jesus, e a perseguição começou a sério nesse dia — não meramente porque um coxo andara, mas porque aquele que o curara chamava a Deus seu próprio Pai, tornando-se, ao fazer o que só eu e o Pai e o Filho juntos podemos fazer, igual a Deus. Repousava sobre ele sem divisão, sem medida, como sempre repousara. Eles viram um violador do sábado. Eu vi o Senhor do sábado, incapaz de passar por um homem quebrado sem o erguer.
O Registro
A cura no tanque de Betesda está registada apenas em João 5:1-18, situada durante uma festa não especificada dos judeus em Jerusalém. Escavações arqueológicas junto à Igreja de Santa Ana descobriram tanques gémeos com cinco pórticos cobertos que correspondem precisamente à descrição de João, dando forte apoio à precisão topográfica do Evangelho. A 'agitação da água', referida em algumas tradições manuscritas como um anjo a agitar o tanque, está ausente dos manuscritos mais antigos e melhores, e é geralmente considerada um acréscimo posterior refletindo a crença popular entre os doentes ali reunidos; a força da narrativa não depende disso.
O episódio é o primeiro relato extenso de cura de João e a ocasião do primeiro grande conflito do Evangelho: porque Jesus curou em sábado e disse ao homem para carregar a sua esteira, e porque chamou a Deus seu próprio Pai, 'fazendo-se igual a Deus' (João 5:18), as autoridades religiosas começaram a procurar matá-lo. A tradição católica lê o milagre como revelação do senhorio de Cristo sobre o sábado e da sua autoridade para curar no sentido mais profundo, ecoada na sua palavra final, 'não peques mais'. A água estagnada e intermitentemente agitada do tanque é frequentemente contrastada pelos comentadores com a água viva que Cristo oferece noutros pontos do Evangelho de João (João 4:14; 7:38), e o episódio é lido durante a Quaresma como figura das águas curativas do batismo, que restauram sem competição nem demora.
Fontes e citações
- John 5:1-18