Nossa Senhora de Akita
Entre 1973 e 1981, uma estátua de madeira da Virgem, num pequeno convento em Akita, no Japão, foi relatada a chorar, suar sangue e trazer uma ferida idêntica à que surgiu na mão de Irmã Agnes Sasagawa, uma freira surda que recebeu também mensagens a advertir de castigo; em 1984, o bispo local, João Shojiro Ito, declarou os fatos dignos de crédito e permitiu a veneração na sua diocese.
Fui a um canto do mundo que os missionários chamam de solo difícil, uma ilha de templos e santuários ancestrais onde a colheita do Evangelho sempre veio devagar, e ali escolhi uma freira que não conseguia ouvir o próprio coro cantar. A Irmã Agnes Sasagawa entrara tarde para a vida religiosa, já ficando surda, já carregando no corpo mais sofrimento do que as suas irmãs sabiam, num pequeno convento do Instituto das Servas da Eucaristia, acima dos arrozais nos arredores de Akita. Tenho um hábito que o mundo continua a não notar: prefiro o silêncio dos surdos e o gaguejar dos de língua lenta, porque nesse vazio não há esperteza Minha a competir, apenas espaço.
No verão de 1973, uma ferida em forma de cruz abriu-se na sua palma e não parava de sangrar, e ela suportou-a como Bernadette suportou o escárnio e como Catarina suportou quarenta e seis anos escondida, sem queixa, porque Eu já lhe dissera, do modo silencioso como falo aos que preparo, que aquele não era o fim do que pretendia mostrar. Em poucas semanas, a pequena estátua de madeira da Minha Mãe que ficava na capela do convento, esculpida por um artesão para uma casa de oração que quase nada mais podia pagar, apresentou a mesma ferida, entalhada na madeira, chorando sangue exatamente onde se abrira a mão da irmã.
O que se seguiu deixei ser visto não uma só vez, do modo como uma única visão pode depois ser posta em dúvida como truque do luto ou da vela acesa, mas repetidas vezes ao longo de quase oito anos, diante de freiras e padres e céticos e cientistas e visitantes comuns sem qualquer interesse no resultado, para que ninguém honesto pudesse depois dizer que aconteceu apenas aos crédulos. A estátua chorou, em mais de cem ocasiões distintas testemunhadas, registradas e, em alguns casos, filmadas, uma umidade sem nascente natural dentro da madeira entalhada capaz de a produzir. Encontrou-se sangue na sua palma. Lágrimas foram analisadas por laboratórios no Japão e nos Estados Unidos, que as encontraram, e ao sangue, biologicamente consistentes com fluido humano vivo, embora a madeira nada chore por si mesma.
E falei, do modo parcimonioso como sempre falo quando um castigo está sendo retido em vez de solto, de fogo que cairia do céu e consumiria grande parte da humanidade, de bispos contra bispos e padres contra padres, do rosário e da penitência como as únicas defesas de pé quando a esperteza humana se esgotasse. Já disse coisas assim antes, em Fátima, pela boca de crianças novas demais para inventar teologia, e não gosto de repetir um aviso mais do que um pai gosta de repetir a mesma coisa a um filho que não se aquieta à mesa. Mas prefiro avisar duas vezes a deixar a casa arder uma só.
Curei-a, com o tempo, da surdez que a fechara num silêncio que não era da Minha escolha, mas de um corpo desgastado pela doença, restaurando o que a enfermidade tomara com a mesma clareza com que deixara a enfermidade tomá-lo, de modo que as irmãs que por anos a viram ler lábios de toda a comunidade a viram ouvir um sino tocar do outro lado do pátio. Não realizo estas coisas para construir um santuário por si mesmo. Realizo-as porque uma mãe que chora pelos seus filhos não é uma metáfora inventada por poetas; é a Minha esposa, e quando deixei a sua imagem de madeira chorar num convento que ninguém fora daquela província conhecia, mostrava a toda a Igreja, num país onde ainda somos tão poucos, que ela não parou de chorar por um mundo perdido, e nem Eu, através dela.
O Registro
Entre 1973 e 1981, a Irmã Agnes Katsuko Sasagawa, membro do Instituto das Servas da Eucaristia, em Akita, no Japão, relatou uma série de eventos extraordinários, começando com uma ferida em forma de cruz na palma esquerda, em junho de 1973. Uma pequena estátua de madeira da Virgem, esculpida para a capela do convento, foi posteriormente encontrada com a ferida idêntica, e foi relatada chorando em 101 ocasiões documentadas entre 1975 e 1981, testemunhadas por clérigos, religiosos e leigos, incluindo não católicos; a estátua foi também relatada a suar sangue em pelo menos uma ocasião. A Irmã Agnes recebeu mensagens interiores nesse período, advertindo de castigo para um mundo impenitente, ecoando temas associados às aparições de Fátima.
Amostras do líquido foram analisadas por laboratórios forenses, incluindo os da Universidade de Akita e da Universidade de Gifu, que relataram resultados consistentes com lágrimas e sangue humanos, e não com qualquer substância própria da estátua de madeira; a Igreja não emitiu um veredito científico confirmatório independente além de assinalar essas análises locais. O Bispo João Shojiro Ito, de Niigata, ordinário local com jurisdição sobre Akita, conduziu uma investigação canônica formal e, em 22 de abril de 1984, emitiu uma declaração pastoral reconhecendo os eventos como de "caráter sobrenatural" e autorizando a veneração pública na sua diocese. Trata-se de um juízo de nível diocesano do bispo local; não foi elevado a uma aprovação formal de aparição pela Santa Sé, e não existe pronunciamento papal sobre Akita. A profunda surdez da Irmã Agnes foi mais tarde relatada como resolvida; o convento continua a receber peregrinos.
Fontes e citações
- Bishop John Shojiro Ito, pastoral declaration, Diocese of Niigata (April 22, 1984)
- Institute of the Handmaids of the Eucharist, Akita convent records
- Fr. Teiji Yasuda, 'Akita: The Tears and Message of Mary' (1989)
- Forensic analyses, Akita University and Gifu University (1970s–1980s)