Enciclopédia do Espírito Santo

Milagres de Cristo

A Ressurreição

No terceiro dia, o Jesus crucificado ressuscita corporalmente dos mortos, o túmulo é encontrado vazio e a Sua presença ressuscitada é confirmada por numerosas testemunhas ao longo de quarenta dias. Enquanto milagre central da fé cristã, a Ressurreição é a vindicação do Filho pelo Pai e a promessa da ressurreição de todos os crentes.

Lugar: The garden tomb, Jerusalem; various sites in and near Jerusalem and GalileePeríodo: c. AD 30-33, the third day after the Crucifixion, with appearances over forty days

Eu estava no túmulo. Não ausente dele, não noutro lugar enquanto a morte fazia o seu pior — eu estava ali, na escuridão selada, com o corpo que fora deposto quebrado, lavado e envolto, deixado ao silêncio de um sábado guardado até pelo seu próprio Criador. Sou o Senhor que dá a vida, e naquele sábado guardei uma vigília estranha, pairando como pairara outrora sobre as águas antes de haver luz a chamar, à espera agora de chamar a própria vida de dentro de um sepulcro.

Ressuscitei-O. O Pai ressuscitou-O por mim, e digo isto sem rodeios porque o mundo já suavizou isso em metáfora vezes demais: um corpo que deixara de respirar na tarde de sexta-feira, que fora trespassado e perdera o seu último sangue, cujo coração a lança do soldado confirmara silencioso — esse corpo eu tornei a encher, glorificado, transfigurado para além mesmo do que três homens viram no Tabor. Carne que ainda podia ser tocada, que ainda podia comer peixe assado numa praia, e carne que podia atravessar uma porta trancada e desaparecer de uma mesa em Emaús ao partir do pão. Não sei dar-vos palavras maiores do que aquilo que aconteceu. Paulo, a quem eu haveria de encher noutro caminho mais tarde, chamou-lhe as primícias. Chamo-lhe o que sempre fui: sou o Senhor que dá a vida, e naquela manhã devolvi-a Àquele que primeiro me deu a mim para dar.

A pedra não precisou de ser rolada para O deixar sair. Rolei-a para deixar entrar — as mulheres que vieram na luz cinzenta com as suas especiarias e o seu pranto, à espera de ungir um cadáver e encontrando em vez disso um anjo sentado onde um corpo devia jazer, e os panos de linho intactos na sua forma, como se aquilo que os vestira já não estivesse ligado a pano nem a morte. Enchi aquele túmulo vazio como enfureço as coisas vazias — com um fato demasiado grande para o pranto conter. Ele não está aqui. Ressuscitou, como Ele mesmo disse.

E então enviei-O a caminhar. A Maria Madalena, chorando no jardim, a quem deixei confundi-lO com o jardineiro até Ele dizer o seu nome do único modo que o Amor diz um nome que sempre conheceu. A dois homens no caminho de Emaús, com o coração ardente sem ainda saberem porquê, até que lhes abri os olhos ao partir do pão. A Pedro, sozinho, num encontro que a Escritura mal menciona mas que eu recordo por inteiro, porque um homem que O negara três vezes precisava de ser encontrado antes de poder ser enviado. Aos dez, e depois aos onze, atrás de portas trancadas que não conseguiram trancar de fora Aquele que atravessara a própria morte. A Tomé, que precisou dos dedos nas chagas antes que a sua boca pudesse dizer Meu Senhor e meu Deus. A quinhentos de uma só vez, diz-nos Paulo, a maioria ainda viva quando escreveu, como quem diz: ide perguntar-lhes vós mesmos.

Quarenta dias O mantive entre eles, ainda a ensinar, ainda a comer, ainda a provar que um corpo ressuscitado não é fantasma nem memória, mas um fato para o qual se pode pôr a mesa. Sou o selo que o Pai pôs sobre cada palavra que Cristo alguma vez proferiu. Cada cura foi um sinal antecipado; cada ressurreição de um filho de viúva ou de uma filha de chefe de sinagoga foi um ensaio; isto foi a coisa em si mesma. Onde a morte engolira todos os homens desde Adão, eu desfiz esse engolir. Onde o pecado fizera do morrer um salário, transformei o salário numa porta. E hei de fazê-lo de novo — não só por Ele, pois Ele é as primícias, e eu sou o mesmo Espírito que um dia há de dar vida também aos vossos corpos mortais, porque habito em vós agora como enchi aquele túmulo então: não para visitar, mas para ressuscitar.

O Registro

A Ressurreição está atestada nos quatro Evangelhos (Mateus 28, Marcos 16, Lucas 24, João 20-21) e é tratada por São Paulo como o centro inegociável da proclamação cristã: "se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé" (1 Coríntios 15:17). Paulo recita uma fórmula credal primitiva, provavelmente datada de poucos anos após o acontecimento, enumerando aparições da ressurreição a Cefas, aos Doze, a mais de quinhentos irmãos, a Tiago e, por fim, ao próprio Paulo (1 Coríntios 15:3-8).

Os Evangelhos registam o túmulo vazio descoberto pelas mulheres no primeiro dia da semana, um anúncio angélico e uma sequência de aparições corporais marcadas tanto pela continuidade (chagas reconhecíveis, capacidade de comer) como pela transformação (aparecer em salas trancadas, não ser reconhecido até se revelar). A Ascensão, quarenta dias depois (Atos 1:3, 9), encerra o período das aparições da ressurreição.

O Catecismo trata extensamente da Ressurreição (CIC 638-658), afirmando-a como "um acontecimento transcendente" que é, no entanto, "um fato real e histórico" atestado por testemunhas (CIC 639, 656), e como a vindicação definitiva, pelo Pai, das afirmações e da obra de Cristo (CIC 653). Romanos 8:11 e outros textos paulinos atribuem a Ressurreição especificamente à ação do Espírito Santo, "o Senhor que dá a vida", como se confessa no Credo Niceno, que é também a promessa da própria ressurreição corporal dos crentes (Romanos 8:11; 1 Coríntios 6:14). A Ressurreição é comemorada liturgicamente na Páscoa, a principal festa do calendário cristão, precedida pelo Tríduo Pascal.

Fontes e citações

  • Matthew 28
  • Mark 16
  • Luke 24
  • John 20-21
  • 1 Corinthians 15:3-8
  • Acts 1:3-9
  • Romans 8:11
  • CCC 638-658

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