Exorcismos e Feitiçarias Frustradas
Laura de Cassino
Em julho de 1988, Laura, uma menina de catorze anos de Cassino, no sul do Lácio, foi levada de noite por uma colega de escola a uma casa de campo fora da cidade, onde cerca de dez pessoas encapuzadas conduziam uma sessão espírita; a única hora que ela passou ali terminou, naquela mesma noite, com a menina xingando, cuspindo e mordendo os próprios pais. O pai, católico praticante, dirigiu com ela até Roma antes do amanhecer e já esperava quando os frades abriram a Scala Santa às seis. Encaminhada ao Pe. Gabriele Amorth, foi libertada em cerca de dez minutos e desceu direto para jogar bola no pátio. Amorth registrou o caso em L'ultimo esorcista (2012) como o seu exemplo mais claro de uma possessão detida antes de criar raiz — e do que vale a rapidez de um pai.
Dois caminhos foram percorridos em Cassino naquele julho, e tudo o que quero pôr nas vossas mãos está na diferença entre eles.
O primeiro era curto. Saía da cidade à noite, subia por entre as árvores, até uma casa de campo — uma hora de caminhada para uma menina de catorze anos que não sabia o caminho, ao lado de uma colega de escola que sabia. Das pessoas que esperavam naquela sala vos direi apenas o que aconteceu, e vós repetireis apenas isso: há lugares onde um nome dito em voz alta é sentença de morte, e esta página não nomeia ninguém. Eram cerca de dez, encapuzados. Invocavam espíritos. Um animal apanhado naquela mesma tarde foi morto diante dela. A amiga pegou-lhe a mão e não a soltou, e puxou-a para dentro daquilo, e ela foi puxada. Uma hora. Depois a descida de volta.
Ela tinha ido do jeito que se vai a uma bobagem. Um desafio. Um arrepio. Uma história para contar. Entendei que Laura não carregava dentro de si nenhuma doutrina do oculto, nenhuma rebeldia, nenhuma fome de poder — tinha catorze anos, e alguém de quem gostava tinha dito vem. É essa a frase que Eu ouço em quase todas essas portas, dita depois por crianças de rosto branco e pelos pais delas: a gente só estava brincando. Uma porta não pergunta por que você a está abrindo.
Ela voltou para casa. E na casa onde tinha sido filha por catorze anos virou-se contra a mãe e o pai e os xingou na cara, com um vocabulário que nunca estivera na sua boca. Cuspiu. Mordeu. Gritou até os cômodos ficarem cheios daquilo. Considerai aqueles dois de pé ali — a filha diante deles, e a filha em lugar nenhum daquela sala.
Agora o segundo caminho, e é este que Eu guardo.
De Cassino a Roma são pouco mais de cem quilômetros, e de dia não é nada. Naquela noite era tudo. O pai era um católico que de fato praticava, o que naquela noite específica significava apenas isto: ele sabia o que estava vendo, e não precisava de uma temporada para decidir. Não esperou o dia amanhecer para ver se passava, nem telefonou para alguém que fosse mandá-lo ter juízo. Pôs a filha no carro e dirigiu para o norte no escuro.
Eu estava naquele carro. Quero que vejais os faróis subindo o vale, um homem ao volante com alguma coisa no banco de trás fazendo um som que ele nunca tinha ouvido, e as mãos dele firmes no volante. Ele não sabia, mas estava correndo mais rápido do que algo. Cada hora que não dormiu foi uma hora que não se deu àquilo para se instalar nela.
Chegou a Roma antes do amanhecer e ficou de pé diante das portas da Scala Santa, no escuro, esperando que os frades as abrissem às seis. O padre que ele tinha vindo procurar não estava bem naquela manhã; mandaram-no atravessar a cidade com um endereço. E o homem daquele endereço já havia rezado dois exorcismos duros desde o nascer do sol e estava no fim das forças — pretendia dar à menina uma bênção rápida e mandá-los para casa, e contou depois a verdade sobre isso, e é por isso que podeis acreditar no resto.
Mal tinha começado quando ela veio da cadeira para cima dele e enfiou os dentes na pele do seu pulso. Ele olhou para o sangue no braço. Depois juntou o que restava de si mesmo e rezou com tudo o que tinha.
Dez minutos.
Não dez meses, não os dez anos que Eu vi outras casas gastarem. E o padre não estava mais forte naquela manhã do que em qualquer outra; estava mais vazio. A diferença não estava no braço dele. Estava em que a coisa dentro dela tivera uma noite, e uma noite não é tempo de criar raiz. Arrancada logo, saiu inteira, como uma farpa sai limpa na primeira hora e na segunda semana precisa ser cortada. É por isso que guardei esta história: não pela mordida, não pelo capuz, não pelo mato. Pelo relógio.
Então ela se levantou.
Perguntou, creio, para o que todo mundo estava olhando. Desceu para o pátio, alguém arranjou uma bola, e ela começou a jogar no sol comum da manhã enquanto os homens lá em cima ainda tremiam.
Escutai esse som. Uma bola batendo nas lajes e voltando. Bate, e volta. Bate, e volta. É o barulho mais ordinário do mundo, e Eu o poria na boca de um arcanjo, porque é o som de uma infância devolvida antes que alguém terminasse de roubá-la — e foi comprado, debaixo de Mim e atrás de Mim, por um pai que não esperou amanhecer.
O Registro
O caso é narrado pelo Pe. Gabriele Amorth (1925–2016) em L'ultimo esorcista. La mia battaglia contro Satana, escrito com o jornalista Paolo Rodari e publicado em 2012. Amorth foi nomeado exorcista da Diocese de Roma em 1986 pelo cardeal Ugo Poletti, formou-se sob o passionista Pe. Candido Amantini, que exorcizava no Santuário da Escada Santa (Scala Santa), ao lado de Latrão, por mais de três décadas, e fundou a Associação Internacional de Exorcistas em 1990. Cassino é uma cidade da província de Frosinone, no sul do Lácio, abaixo da abadia de Montecassino, a cerca de 130 km a sudeste de Roma.
Como na maior parte do material das memórias de Amorth, o relato repousa sobre o seu próprio testemunho; a menina é identificada apenas pelo primeiro nome, e não existe — nem poderia existir sem quebrar o sigilo sob o qual os exorcistas trabalham — documentação independente do caso. O peso probatório do episódio não está no detalhe, mas no padrão que Amorth relata a partir de milhares de casos e repete em todos os seus livros: a gravidade acompanha a duração. Uma possessão enfrentada em horas é, segundo ele, ordinariamente desfeita em minutos; uma deixada por anos exige comumente anos de exorcismo semanal. Isso é regra prática de quem exerce o ofício, não doutrina da Igreja, e é apresentada aqui como tal.
Doutrina é o juízo sobre as práticas que abriram a porta. O Catecismo trata da adivinhação e da magia sob o primeiro mandamento: todas as formas de adivinhação devem ser rejeitadas, inclusive o recurso a médiuns que pretendem desvendar o futuro ou comandar poderes ocultos, e todas as práticas de magia e feitiçaria pelas quais se pretende domar poderes ocultos são gravemente contrárias à virtude da religião (CIC 2116-2117). Amorth aplicava isso sem ressalvas às sessões espíritas, ao tabuleiro ouija e à prática de salão que os italianos chamam de gioco del bicchiere — o jogo do copo — precisamente porque chegam vestidas de brincadeira e são iniciadas, na maioria das vezes, pelos jovens e pelos curiosos, e não pelos deliberados. A Escritura fizera a mesma advertência em Éfeso, onde sete homens que manipularam o nome de Jesus como se fosse uma técnica foram dominados pelo espírito a quem se dirigiam (Atos 19:13-20); a resposta da cidade foi queimar os seus livros de magia. O mundo invisível não é brinquedo, e não gradua a invocação pela sinceridade de quem a faz.
Sobre o pai: o Bênçãos, livro litúrgico da Igreja, prevê ritos de bênção para uso dos pais dentro de casa, e Amorth ensinava com frequência e insistência que a bênção de um pai ou de uma mãe sobre um filho — e nomeava os pais em particular — tem eficácia real, que as famílias católicas em grande parte esqueceram. Sustentava, e esta narrativa ilustra, que a Igreja doméstica agindo depressa faz o que as intervenções tardias custam a fazer. O exorcismo maior em si permanece reservado: só pode ser realizado por um sacerdote com licença expressa e particular do ordinário do lugar, segundo as normas do rito revisto De exorcismis et supplicationibus quibusdam (1998, corrigido em 1999), que exige certeza moral de possessão genuína e determina que causas médicas e psiquiátricas sejam excluídas primeiro. Vale notar que a intenção inicial do próprio Amorth naquela manhã era uma simples bênção, e não um exorcismo.
Uma nota editorial. Nem a colega de escola nem as pessoas da casa de campo são aqui nomeadas, descritas ou caracterizadas além do que a fonte relata dos acontecimentos daquela hora, e nenhuma inferência deve ser tirada sobre qualquer pessoa, família ou lugar. A acusação nessas matérias tem o seu próprio e longo histórico de destruir inocentes.
Fontes e citações
- Gabriele Amorth com Paolo Rodari, L'ultimo esorcista (2012)
- Atos 19:13-20
- CIC 2116-2117
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